Simulador Empresarial da Reforma Tributária
Este manual acompanha a versão guiada do simulador. A interface foi desenhada para que empresários e consultores possam chegar ao diagnóstico sem dominar a lógica contábil e tributária que existe por trás do motor. O sistema automatiza o que puder e chama o usuário apenas quando algum dado realmente precisa de confirmação.
Versão 3.2 · setembro de 20261. O que o simulador faz
O simulador usa CNPJ, CNAE, informações fornecidas pelo usuário e, quando disponíveis, documentos contábeis para construir cenários de tributação e impacto empresarial da Reforma Tributária.
A experiência é dividida em quatro etapas visíveis: Empresa, Operação, Finanças e Diagnóstico. A memória técnica continua disponível, mas não precisa ser revisada antes da leitura executiva.
2. Como usar em poucos minutos
3. CNPJ e documentos
CNPJ
Digite o CNPJ e clique em Buscar empresa. O simulador tenta preencher razão social, nome fantasia, situação cadastral, CNAE principal, porte, município, UF, natureza jurídica, situação disponível no Simples, situação de MEI e atividade principal.
Documentos logo no início
Após a identificação da empresa, você pode enviar os documentos que já possui. Essa etapa é opcional, mas recomendada quando houver Balanço Patrimonial, DRE, balancete ou relatórios exportados do ERP.
Formatos aceitos na versão atual: PDF com texto pesquisável, CSV, XLS e XLSX. É possível combinar vários arquivos.
O simulador procura informações como faturamento, lucro contábil, caixa, ativo e passivo circulantes, endividamento, juros e outras bases úteis. Um valor encontrado no documento pode ser aplicado automaticamente ou apresentado para revisão, conforme a confiança da leitura e o nível de automação escolhido.
4. Níveis de automação
Depois que a empresa ou os documentos forem identificados, o simulador permite escolher quanto pode preencher por você.
Aplica automaticamente somente dados de alta confiança. Exige mais confirmações manuais.
Usa dados confirmados e cálculos consistentes. Estimativas frágeis permanecem para revisão. É o modo padrão.
Também pode aplicar estimativas de média ou baixa confiança quando não houver conflito. Exige revisão mais cuidadosa.
Alterar o nível de automação não modifica as fórmulas tributárias. O que muda é a quantidade de informações que o sistema pode preencher antes da sua confirmação.
5. Origem e qualidade dos dados
Os campos podem receber marcações de origem para deixar claro como cada valor chegou ao simulador.
- Informado: digitado ou corrigido pelo usuário.
- Importado: localizado diretamente em documento compatível.
- Calculado: obtido a partir de outros dados disponíveis.
- Sugerido: estimativa inicial baseada no perfil da empresa, CNAE ou regra do motor.
- Estimado: valor de menor confiança usado apenas quando o modo escolhido permitir.
A tela também pode mostrar Qualidade dos dados automáticos: Boa, Intermediária ou Inicial. O percentual apresentado de forma secundária é um indicador operacional interno de qualidade das entradas e não representa probabilidade de acerto do diagnóstico.
6. Etapa Empresa
Esta etapa reúne identificação, faturamento e enquadramento.
Faturamento médio e faturamento dos últimos 12 meses
O faturamento mensal e a RBT12 podem permanecer sincronizados. Se a média mensal multiplicada por 12 não representar a realidade da empresa, desative a sincronização e informe a RBT12 real.
Simples Nacional e MEI
O sistema usa as informações públicas disponíveis e regras de elegibilidade, mas a situação tributária deve ser confirmada quando aparecer como pendente. Quando a RBT12 supera R$ 4,8 milhões, Simples Nacional e modelo híbrido deixam de participar do ranking prospectivo.
Fator R
Quando aplicável, a massa salarial usada no Fator R é tratada separadamente da base previdenciária utilizada fora do Simples.
7. Etapa Operação
O simulador apresenta primeiro um perfil estimado da operação. Ele resume vendas para empresas, compras e despesas tributadas, potencial de crédito e perfil dos fornecedores.
Se os percentuais fizerem sentido, você pode simplesmente continuar. O botão Revisar os percentuais sugeridos abre os campos para edição.
Vendas para empresas
Representa a parcela do faturamento destinada a clientes com CNPJ. Esse dado é importante porque o crédito de IBS/CBS recebido pelo cliente pode influenciar a competitividade B2B.
Compras e despesas tributadas
Incluem matérias primas, mercadorias, ativos, serviços e outras aquisições ligadas à atividade que carregam tributação na operação. Não se limitam a estoque.
Potencial de crédito
Indica quanto das aquisições pode, em tese, gerar crédito de IBS/CBS. O perfil dos fornecedores também afeta o crédito estimado.
Tratamentos específicos
Reduções, alíquota zero e outros tratamentos ficam recolhidos em uma área própria. CNAE pode orientar a revisão, mas a classificação da operação, do item ou do serviço pode exigir confirmação por NCM, NBS, cClassTrib ou regra específica.
8. Etapa Finanças
O objetivo desta etapa não é fazer o empresário preencher um formulário contábil completo. O sistema mostra primeiro o que conseguiu calcular ou importar e, abaixo, apresenta o bloco O simulador precisa de você somente quando alguma informação relevante estiver faltando.
Cada pendência informa por que o dado é necessário. O botão Preencher abre automaticamente a área correta, leva ao campo e destaca onde informar o valor.
| Dado | Por que pode ser necessário |
|---|---|
| Remunerações sujeitas à contribuição patronal | Permitem comparar Lucro Presumido e Lucro Real sem tratar folha desconhecida como zero. |
| Lucro contábil antes de IRPJ e CSLL | É a base de partida do cálculo do Lucro Real. |
| Carga atual de ICMS/ISS | É necessária para determinadas comparações durante a transição de 2027 a 2032. |
| Carga atual de tributos sobre consumo | Melhora a leitura de preço, margem e resultado. |
| Caixa e aplicações | Melhoram a análise de split payment e necessidade de financiamento. |
| Margem EBITDA | Permite projetar a margem operacional após a mudança tributária. |
Campos avançados continuam disponíveis para contadores e consultores, mas não precisam ser abertos quando o diagnóstico já possui dados suficientes.
9. Etapa Diagnóstico
A revisão final mostra somente os dados essenciais e identifica pendências com botões de correção. Quando os dados mínimos estiverem disponíveis, aparece a mensagem Pronto para gerar o diagnóstico.
Clique em Gerar meu diagnóstico. O sistema consolida enquadramento, regimes, créditos, transição, competitividade, caixa e efeito econômico e abre o relatório.
10. Como ler o relatório
O relatório é dividido em duas visualizações.
É a leitura principal para empresário e gestor. Mostra o melhor cenário validado, diferença para o segundo cenário, visão de 2033, ranking dos modelos válidos, transição, impactos comerciais e financeiros e próximos passos.
Reúne memória de cálculo, tabelas completas, componentes tributários, transição anual, metodologia e observações para conferência profissional.
Um modelo que não aparece no ranking pode simplesmente estar sem dados suficientes. Isso não significa que ele seja necessariamente pior.
11. Como os regimes são comparados
Simples Nacional
O sistema aplica as tabelas apenas quando o regime for elegível e usa Anexo, Fator R e regras específicas quando aplicáveis.
Lucro Presumido
IRPJ e CSLL são calculados com percentuais de presunção próprios da atividade. Salários, pró labore, aluguel e demais despesas operacionais não reduzem a base presumida.
Lucro Real
O ponto de partida é o lucro contábil antes de IRPJ e CSLL. Despesas já reconhecidas na DRE não são descontadas novamente.
Quando faltar informação indispensável, o modelo fica pendente e não entra no ranking com valor parcial.
12. Crédito B2B e competitividade
O crédito potencial recebido pelo cliente PJ não pertence ao vendedor. Portanto, ele não é abatido do imposto próprio da empresa para artificialmente melhorar um regime.
Essa separação é importante porque uma alternativa pode ter maior desembolso tributário próprio e, ao mesmo tempo, melhorar a posição comercial da empresa diante de clientes que aproveitam créditos.
13. Split payment e caixa
O split payment é tratado como impacto financeiro sobre o fluxo de caixa, e não como um imposto novo.
Capital de giro líquido não é tratado como dinheiro disponível. O relatório separa valor potencialmente segregado, perda de float, necessidade adicional de capital de giro, financiamento após a reserva e custo financeiro estimado.
14. Preço, margem e resultado
O módulo econômico compara a carga líquida atual dos tributos sobre consumo com a carga futura do cenário analisado.
O cenário inicia com 100% de repasse da variação tributária ao preço, mas o percentual pode ser alterado para simular quanto seria absorvido pela margem.
15. Custo financeiro
Quando BP e DRE oferecem dados suficientes, o custo financeiro pode ser estimado automaticamente a partir de juros e dívida média.
Quando a DRE cobre menos de 12 meses, o custo pode ser anualizado. Se não houver dívida ou informação suficiente, o sistema evita manter uma taxa arbitrária como se fosse dado conhecido.
16. Transição até 2033
O relatório separa sistema atual, transição e regime pleno para evitar comparar bases diferentes como se fossem equivalentes.
| Período | Leitura usada |
|---|---|
| 2026 | Sistema atual como referência histórica. |
| 2027 e 2028 | Início da CBS e do IBS, com tributos atuais ainda presentes conforme o caso. |
| 2029 a 2032 | Redução gradual de ICMS e ISS e crescimento do IBS durante a transição. |
| 2033 | Regime pleno de IBS/CBS no desenho utilizado pelo simulador. |
17. O que ainda exige revisão
A automação reduz digitação, mas não elimina pontos que dependem da realidade da empresa. Merecem atenção especial:
- CNAE e atividades efetivamente exercidas.
- Elegibilidade ao Simples e Anexo aplicável.
- Fator R e composição correta da massa salarial.
- Percentuais de presunção no Lucro Presumido.
- Lucro contábil e ajustes fiscais no Lucro Real.
- Base de remuneração sujeita à contribuição patronal.
- Composição das receitas por tratamento de IBS/CBS.
- NCM, NBS, cClassTrib, reduções e benefícios específicos.
- Percentual real de vendas para pessoas jurídicas.
- Aquisições que efetivamente geram crédito.
- Perfil tributário real dos fornecedores.
- Premissas de split payment, prazos e regras que ainda dependam de regulamentação ou implementação.
18. Arquivos e privacidade
Na versão atual, o leitor de documentos usa o próprio navegador para abrir PDF com texto, CSV, XLS e XLSX. O código do simulador não envia o conteúdo desses arquivos para uma API própria de inteligência artificial ou de análise documental.
Bibliotecas de leitura de PDF e planilhas são carregadas para o navegador quando necessárias. Se futuramente houver leitura avançada com IA ou envio de documentos para processamento externo, essa função deverá ser apresentada separadamente e com consentimento explícito do usuário.
19. Limitações e uso responsável
O simulador é uma ferramenta educativa e de apoio à decisão empresarial. Não substitui escrituração contábil, apuração fiscal, planejamento tributário formal, parecer jurídico ou validação por profissional responsável.
Regras, alíquotas, cronogramas e procedimentos podem mudar. cClassTrib, benefícios, regimes específicos, créditos presumidos, operações interestaduais, particularidades de IRPJ e CSLL, regras previdenciárias e situações excepcionais podem alterar significativamente o resultado.