O Brasil muda de impostoManual do Simulador Empresarial da Reforma Tributária · V3.2
Manual atualizado

Simulador Empresarial da Reforma Tributária

Guia da versão 3.2 após a auditoria contábil tributária do motor e a reformulação do relatório final. A ferramenta separa carga própria da empresa, crédito do cliente, transição dos tributos sobre o consumo, efeitos sobre caixa e requisitos específicos de cada regime.

Versão 3.2 · setembro de 2026

1. Visão geral da V3.2

A V3.2 foi estruturada para reduzir comparações enganosas e evitar que valores de naturezas diferentes sejam apresentados como se fossem diretamente comparáveis. O sistema automatiza o que puder a partir do CNPJ, CNAE e documentos contábeis, mas mantém como revisáveis os pontos que dependem da realidade da empresa ou de requisitos legais específicos.

Principais características da versão atual:
  • Lucro Real calculado a partir do lucro contábil antes de IRPJ e CSLL, com ajustes fiscais próprios.
  • Separação entre massa salarial do Fator R e remunerações sujeitas à contribuição patronal fora do Simples.
  • Lucro Presumido com percentuais de presunção revisáveis conforme a atividade.
  • Crédito de IBS/CBS do cliente B2B separado do desembolso tributário do vendedor.
  • Reduções de IBS/CBS tratadas como premissas a confirmar quando dependem de requisitos legais.
  • Comparação da situação atual, da transição e do regime pleno sem misturar Simples com regime regular.
  • ICMS e ISS residuais considerados durante a transição quando aplicáveis.
  • Aquisições creditáveis tratadas de forma ampla, inclusive despesas e serviços empresariais.
  • Relatório final dividido entre Resumo executivo e Detalhamento técnico.

2. Fluxo recomendado

  1. Informe o CNPJ e busque a empresa.
  2. Revise CNAE, atividade, porte, situação no Simples, MEI e Anexo sugerido.
  3. Confirme faturamento mensal e RBT12.
  4. Revise a massa salarial do Fator R.
  5. Revise vendas B2B, aquisições tributadas, parcela creditável e perfil de fornecedores.
  6. Confirme eventual redução de alíquota ou composição especial do IBS/CBS.
  7. Informe ou importe as remunerações sujeitas à contribuição patronal fora do Simples.
  8. Para Lucro Real, informe ou importe o lucro contábil antes de IRPJ e CSLL e revise os ajustes fiscais.
  9. Importe Balanço, DRE e relatórios disponíveis para reduzir digitação.
  10. Revise premissas financeiras, custos de compliance e split payment.
  11. Clique em Gerar diagnóstico.
  12. Leia primeiro o Resumo executivo e use o Detalhamento técnico para conferir memórias de cálculo e premissas.

3. Empresa e enquadramento

CNPJ e CNAE

Digite o CNPJ e clique em Buscar empresa. Quando a consulta for bem sucedida, o sistema tenta preencher razão social, nome fantasia, situação cadastral, CNAE principal, porte, município, UF, natureza jurídica, situação disponível no Simples, situação de MEI e atividade principal.

CNAE e cadastro público ajudam a automatizar a análise, mas não substituem a confirmação do enquadramento fiscal efetivo nem da natureza de cada operação.

Faturamento mensal e RBT12

Os campos podem permanecer sincronizados. Quando a RBT12 real não corresponder à média mensal multiplicada por 12, desative a sincronização e informe os valores reais separadamente.

Limite do Simples

Quando a RBT12 ultrapassa R$ 4,8 milhões, a V3.2 retira Simples Nacional e Simples híbrido do ranking prospectivo. Permanecer abaixo desse limite não garante, isoladamente, elegibilidade ao regime.

MEI

O MEI é tratado separadamente. O sistema não aplica automaticamente as tabelas dos Anexos I a V ao DAS do SIMEI nem oferece o modelo híbrido como alternativa regular.

4. Fator R e contribuição patronal

Massa salarial do Fator R

O campo Massa salarial mensal para o Fator R serve exclusivamente para a lógica do Fator R. Ele pode conter a composição admitida nessa regra e não deve ser reutilizado automaticamente como base da contribuição patronal.

Fator R estimado = massa salarial dos 12 meses ÷ RBT12

Remunerações sujeitas à contribuição patronal

Fora do Simples, o motor usa um campo próprio para salários e pró labore sujeitos à contribuição patronal. CPP, FGTS e outros encargos já calculados não devem ser incluídos novamente nessa base.

Contribuição patronal estimada = remunerações sujeitas × alíquota patronal efetiva

A alíquota patronal começa com referência básica de 20%, mas deve ser revisada quando RAT, terceiros, desonerações ou particularidades da atividade alterarem o custo efetivo.

A V3.2 não multiplica automaticamente a massa salarial do Fator R por 20%. Isso evita dupla contagem de encargos.

5. Mercado, aquisições e créditos

Vendas para clientes PJ, B2B

Representa a parcela da receita realizada com pessoas jurídicas. O sistema pode sugerir um valor pelo perfil da atividade, mas o dado real deve prevalecer quando disponível.

Aquisições e despesas tributadas

O campo não se limita a mercadorias, estoque ou matéria prima. Em empresas de serviços podem existir softwares, serviços de terceiros, equipamentos, aluguel tributado, telecomunicações, serviços digitais e outras despesas relacionadas à atividade.

Parcela potencialmente creditável

Indica quanto das aquisições tributadas pode, em tese, gerar crédito de IBS/CBS. O sistema usa uma estimativa inicial, que deve ser substituída por informação real quando houver DRE, razão, relatório de compras ou classificação fiscal detalhada.

Fornecedores no regime regular

Representa a parcela estimada das aquisições realizadas de fornecedores cujo tratamento permite o aproveitamento de crédito considerado pelo motor.

Uma empresa sem estoques ou insumos físicos pode ter créditos relevantes de IBS/CBS. Por isso, a V3.2 trabalha com aquisições e despesas tributadas.

6. Reduções e tratamentos do IBS/CBS

Composição do faturamento

A composição distribui 100% da receita entre tributação integral, redução de 30%, redução de 40%, redução de 60% e redução a zero.

A soma da composição deve ser igual a 100%.

O CNAE pode orientar uma sugestão inicial, mas o tratamento tributário pertence à operação ou ao item. Empresas com receitas heterogêneas devem revisar a composição.

Profissões regulamentadas

Quando a atividade indicar potencial enquadramento em profissão regulamentada, a V3.2 apresenta um campo específico para confirmar a possível redução de 30% do IBS/CBS. O CNAE sozinho não ativa definitivamente o benefício.

Arquitetura é um exemplo de atividade que pode acionar essa verificação. A aplicação depende dos requisitos legais e profissionais do caso concreto.

Alíquotas de referência

CBS plena e IBS pleno permanecem visíveis e editáveis. Alterações representam cenários de simulação e não confirmação automática de alíquotas definitivas.

7. Lucro Presumido

O Lucro Presumido é calculado separando a base de IRPJ da base de CSLL. Os percentuais de presunção são sugeridos conforme a atividade e permanecem revisáveis.

Base presumida do IRPJ = receita × percentual de presunção do IRPJ
Base presumida da CSLL = receita × percentual de presunção da CSLL

Em serviços em geral, a sugestão pode ser 32% para IRPJ e 32% para CSLL. Comércio, indústria, transportes e atividades com regras específicas podem exigir percentuais diferentes.

Despesas operacionais

Salários, pró labore, aluguel e demais despesas operacionais não reduzem a base presumida de IRPJ e CSLL. Elas afetam a margem econômica da empresa, mas não a base presumida.

Modelo pendente

Quando faltar uma informação indispensável, como a remuneração sujeita à contribuição patronal, o Lucro Presumido pode aparecer como não ranqueado. O simulador evita completar o ranking com valor parcial.

8. Lucro Real

A V3.2 não usa margem fixa para calcular IRPJ e CSLL no Lucro Real. O ponto de partida é o lucro contábil antes de IRPJ e CSLL, preferencialmente importado ou confirmado a partir da DRE.

Lucro contábil antes de IRPJ/CSLL + adições fiscais − exclusões fiscais = resultado fiscal antes das compensações

Salários, pró labore, encargos, aluguel, serviços, depreciação, despesas administrativas e demais itens já reconhecidos na DRE afetam o lucro contábil. O simulador não deve descontá los novamente depois de importar o resultado contábil.

Prejuízo fiscal e base negativa

O motor mantém controles separados para prejuízo fiscal de IRPJ e base negativa de CSLL. A compensação estimada respeita o limite configurado no simulador e deve ser validada quando existirem regras específicas.

Quando o Lucro Real fica fora do ranking

Se faltar lucro contábil confiável, ajustes fiscais relevantes ou base da contribuição patronal, o modelo pode ser exibido como pendente e não participar da recomendação.

9. Situação atual e transição tributária

A V3.2 evita comparar diretamente uma parcela do DAS atual com o débito bruto de IBS/CBS de outro regime. O relatório técnico separa as bases para manter a comparação coerente.

PeríodoLeitura usada na V3.2
2026Sistema atual como referência histórica. Para optantes do Simples, a comparação é feita dentro do DAS.
2027 e 2028CBS e IBS em transição, com ICMS e ISS ainda existentes quando aplicáveis.
2029 a 2032Redução gradual de ICMS e ISS e crescimento do IBS conforme a transição.
2033Regime pleno de IBS/CBS, sem ICMS ou ISS residual no comparativo.
No Resumo executivo, a transição é condensada em números chave e uma linha do tempo. As tabelas completas ficam no Detalhamento técnico.

10. Crédito B2B e competitividade

O crédito potencial recebido pelo cliente PJ não pertence ao vendedor e não reduz o imposto próprio da empresa. Por isso, ele não é abatido do desembolso tributário usado para formar o ranking.

Ranking tributário = carga própria da empresa + custos operacionais informados
Análise comercial B2B = crédito adicional entregue ao cliente e capacidade de convertê lo em preço, margem, retenção ou volume

No Simples 100%, o crédito do cliente fica limitado à parcela de IBS/CBS devida no Simples, conforme a premissa incorporada ao motor. Nos modelos com IBS/CBS regular, o crédito potencial do cliente é calculado sobre o débito bruto incidente na operação.

11. Split payment e capital de giro

O split payment é tratado como cenário de exposição financeira, e não como nova despesa tributária. A intensidade pode ser ajustada nas premissas.

Reserva financeira disponível

Reserva financeira = caixa e equivalentes + aplicações de liquidez imediata

Essa é a medida usada prioritariamente para avaliar quanto da necessidade financeira adicional pode ser absorvida sem financiamento.

Capital de giro líquido

Capital de giro líquido = ativo circulante − passivo circulante

Capital de giro líquido não é tratado como caixa disponível.

O Resumo executivo mostra apenas os indicadores decisivos: necessidade adicional de capital de giro, necessidade de financiamento e caixa que permanece de cada R$ 100.

12. Custo financeiro

Modo automático por BP + DRE

O simulador procura usar juros e encargos da dívida, dívida financeira inicial, dívida financeira final e número de meses cobertos pela DRE.

Dívida financeira média = média dos saldos inicial e final
Custo financeiro do período = juros e encargos ÷ dívida financeira média

Quando a DRE cobre menos de 12 meses, o custo é anualizado proporcionalmente.

Sem dívida ou sem juros

Se não houver dívida financeira informada, o modo automático exibe não aplicável em vez de manter uma taxa arbitrária.

13. Importação de documentos

O importador serve para reduzir digitação e melhorar a qualidade das premissas. Balanço Patrimonial e DRE são as principais fontes para lucro contábil, caixa, endividamento, despesas financeiras e outros dados.

Importação não significa validação automática. A classificação contábil pode variar entre empresas, e o usuário deve revisar os valores trazidos para os campos do simulador.

14. Gerar diagnóstico

Depois de preencher e revisar os dados, clique em Gerar diagnóstico. O simulador valida as premissas, compara os regimes aplicáveis, calcula créditos, transição, competitividade e caixa e consolida a recomendação.

1. ValidaçãoFaturamento, enquadramento, composição de receitas e premissas mínimas.
2. ComparaçãoRegimes válidos são comparados sem usar valores parciais de modelos pendentes.
3. CompetitividadeCrédito B2B é analisado separadamente da carga própria da empresa.
4. CaixaSplit payment, reserva financeira e eventual necessidade de financiamento são avaliados.

Ao final do processamento, o relatório abre automaticamente em uma janela própria sobre o simulador.

Importante: se qualquer premissa for alterada depois da geração, o resultado anterior é ocultado até que o diagnóstico seja atualizado. Isso evita leitura de números desatualizados.

15. Leitura do relatório final

O relatório da V3.2 foi dividido em duas visualizações para separar decisão gerencial de memória de cálculo.

Resumo executivo

É a visão principal. Mostra o regime recomendado, economia para o segundo colocado, visão estrutural em 2033, Fator R, ranking dos modelos válidos, modelos pendentes, impacto comercial B2B, impacto financeiro, transição resumida, conclusão e quatro prioridades.

Detalhamento técnico

Reúne tabelas completas de transição, componentes dos modelos, memória de cálculo, competitividade, caixa, metodologia, fontes e observações técnicas. Deve ser usado para conferência e validação profissional.

Resumo executivo

A primeira leitura deve responder quatro perguntas: qual regime apresenta o menor desembolso, quanto custa, por que aparece em primeiro lugar e o que pode mudar a conclusão.

Modelos sem dados suficientes aparecem em bloco próprio como não ranqueados. A ausência de um modelo no ranking não significa que ele seja necessariamente pior.

Detalhamento técnico

Use essa aba quando for necessário verificar composição do DAS, IBS/CBS líquido, ICMS ou ISS residual, bases de IRPJ e CSLL, contribuição patronal, créditos, indicadores de competitividade e premissas de caixa.

Alternância entre as duas visões

No topo do relatório, clique em Resumo executivo ou Detalhamento técnico. A troca não recalcula o diagnóstico, apenas muda a forma de leitura do mesmo conjunto de dados.

Regra de leitura: decisão primeiro, memória de cálculo depois. O resumo orienta a leitura; o detalhamento permite conferir como os valores foram formados.

16. Impressão e dados salvos

Imprimir relatório

O botão Imprimir relatório gera a impressão do relatório em janela própria, sem o formulário de entrada, cabeçalho do site, botões de navegação ou demais elementos da interface.

A impressão padrão prioriza o Resumo executivo, que foi desenhado para ser mais curto e adequado à leitura gerencial. O detalhamento técnico permanece disponível na tela para conferência.

Reabrir o relatório

Depois de fechar a janela do diagnóstico, o relatório pode ser reaberto sem recalcular, desde que nenhuma premissa tenha sido alterada.

Dados salvos no navegador

O simulador guarda parte das premissas localmente no navegador para facilitar novas análises. Use Refazer simulação quando quiser limpar o cenário atual e iniciar outro caso.

17. Itens que exigem revisão

Mesmo quando preenchidos automaticamente, alguns campos merecem confirmação antes de uma decisão tributária:

  • CNAE principal e atividades efetivamente exercidas.
  • Elegibilidade ao Simples e Anexo aplicável.
  • Fator R e sua massa salarial correta.
  • Percentuais de presunção do Lucro Presumido.
  • Lucro contábil e ajustes fiscais do Lucro Real.
  • Base de remuneração sujeita à contribuição patronal.
  • Composição das receitas por tratamento de IBS/CBS.
  • Reduções de alíquota e benefícios sujeitos a requisitos.
  • Percentual real de vendas B2B.
  • Aquisições que efetivamente geram crédito.
  • Perfil tributário dos fornecedores.
  • Alíquotas municipais ou estaduais remanescentes durante a transição.
  • Premissas de split payment e prazo de liberação de retenções.

18. Limitações e uso responsável

O simulador é uma ferramenta educativa e de apoio à decisão. Ele não substitui escrituração contábil, apuração fiscal, planejamento tributário formal, parecer jurídico ou validação por profissional responsável.

cClassTrib, benefícios, regimes específicos, substituições, créditos presumidos, operações interestaduais, particularidades de IRPJ e CSLL, regras previdenciárias e situações excepcionais podem alterar significativamente o resultado.

Recomendação final: use o relatório executivo para identificar a alternativa que merece ser estudada primeiro. Antes de qualquer mudança de regime, valide os dados contábeis, fiscais e contratuais com o profissional responsável.